sábado, 29 de dezembro de 2012

Porto,  30 de Dezembro de 2012, 3:06

Querida Avó,

     Escrevo-lhe esta carta para lhe contar tudo. Não sei o que faço aqui, e vejo como meu único inimigo o tempo, que por mais rápido que passe, não é o suficiente. Só quero chegar aquele ponto em que a dor é tanta que adormece, pois diminuir é coisa que já se viu que não vai acontecer.
    Estou só neste mundo. Por mais pessoas à minha volta, não há ninguém. Queria desaparecer, ir para algum sítio, sem ninguém, calmo, digno de paraíso. Esta vida não é para mim. Sinto-me sempre infeliz. Já não sei o que é se sentir feliz há muito tempo, desde 23 de Fevereiro de 2011. Realmente só se sabe o que se tem quando se perde. E não sei como vou sobreviver à sua perda. Quero me sentir feliz e não consigo.
    Quero algo novo, algo que me faça sentir motivada. Perdi a vontade de viver e não posso contar a ninguém, parece-me ridículo de mais. Sou uma desistente e isso mata-me a cada dia que passa. Não vou a lado nenhum assim. Como posso ajudar os outros se estou numa desgraça? Não sei. Já nem sei dizer se esta falta de pachorra que tenho é simplesmente falta de vontade de viver, ou apenas ou desculpa esfarrapada para não fazer nada. De qualquer das maneiras, não me podia deixar pior. Eu não era assim. O que mudou?
     Quero me apaixonar de novo, e se calhar porque sou uma desesperada por atenção ou porque se calhar seria uma distracção desta desgraça que nunca mais acaba. Os dias passam e eu nem me apercebo, nem os vivo na verdade. Avó, porque me deixas continuar nesta desgraça? Porque não me levas daqui? Não estou a fazer nada. 
     Não sei se é da minha auto - estima que é super baixa, mas sinto que ninguém vai voltar a gostar de mim como o João gostou. E até esse está farto de mim, e depois faço as figuras que faço e afasto toda a gente. Será que sou assim tão desesperada que preciso de ter um namorado ou alguém atrás de mim para me sentir feliz? Gostava de descobrir. Avó ajudas-me? Quero saber se isso me deixa feliz, ou se realmente acontecesse ficava na mesma.
     Já não me conheço e isso assusta-me. Já não sei do que sou capaz e neste momento não me sinto capaz de nada. Ajuda-me Avó. Amo-te muito.

Beijos eternos,
A tua neta, Ana.